quarta-feira, janeiro 21, 2009

O SIFRÓNIO FOI AO FOTÓGRAFO

O Sifrónio foi ao fotógrafo. Não para tratar do Cartão do Cidadão, mas porque mudou de visual. E como estamos em pleno "carnaval político", que este ano será muito longo, não haverá muitos motivos para caçoar. Quem alguma vez criticou o carnaval foi levado a sério? "É Carnaval, ninguém leva a mal" diz o povo. Entretanto vai-se aproveitando a "sota". Enquanto durar o "põe máscara, tira a máscara" o Sifrónio vai tratando da aparência física. Não zurra nem escoiceia. Não há motivo. Num mundo de mentirosos, caçoaremos quem se apresente a falar verdade. De resto... deixamo-nos estar!

domingo, janeiro 18, 2009

A GRANDE PORCA

sexta-feira, janeiro 02, 2009

NOVO ANO... VELHAS PREOCUPAÇÕES.

Fui criada com princípios morais comuns a toda a gente. Sonhei com a liberdade e a justiça social…
Pela mão dos meus pais, professores, avós, tios e vizinhos percebi que a Justiça estava ao serviço das Vítimas e da Comunidade. Tínhamos medo apenas do escuro, do “papão”, de filmes de terror e da polícia política.
Hoje temo a Justiça, os pedófilos, os terroristas, os compadrios políticos, os fiscais da repartição de finanças…
Justiça para gáudios processuais de advogados de luxo?
Liberdade ou libertinagem?
Garantias de defesa, ou evitar que se faça Justiça?
Julgamento da Casa Pia em Tribunal, ou decidido nos telejornais e por mensagens de telemóvel a 20 cêntimos?
Negociar com terroristas em nome da paz, ou dizer “BASTA!” aos cobardes e anafados da política?
Diálogo e tolerância para criminosos e deveres ilimitados para cidadãos pacíficos e honestos?
Amnistiar os que devem ao fisco e suspeitar permanentemente de quem paga os seus impostos? Será esse o nosso futuro?
O que aconteceu com Portugal?
Que valores temos nós hoje?
Que eleições temos nós?
Você sabe quem é o 7º candidato da lista do Partido em quem você vai votar nas próximas eleições?
De que me serve um aumento de 3 Euros na minha pensão?
Porque é que as disparidades sociais nunca foram tão gritantes como hoje o são?
Você sabia que em 23 de Abril de 2004 CDS, PSD e PS fizeram uma revisão constitucional que submete a Constituição Portuguesa A QUALQUER Constituição Europeia que venha a ser aprovada em Bruxelas?
Que eles não foram capazes de alterar as Leis eleitorais só para continuarem a eleger-se a eles próprios?
Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho?
Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado, sem sentir medo?
Quando foi que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz, a minha Liberdade!
Quero liberdade com segurança!
Quero tirar as grades da minha janela. Quero políticas, não quero hipócritas!
Quero sentar-me na calçada e ter a porta aberta nas noites de verão.
Quero a rectidão de carácter, a cara limpa, os olhos nos olhos.
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a esperança, a alegria.
Abaixo o “TER”, viva o “SER”!
Quero discordar do absurdo e da mentira em que vivemos.
Utopia? Não…

(Recebido por email. Texto editado pelo autor do blogue).

domingo, dezembro 14, 2008

MÚSICA, CULTURA, ARTE E TALENTO!



"God of War".
Participação no Video Games Live Lisbon, com a Orquestra Sinfonieta de Lisboa
(Campo Pequeno - 6 de Dezembro).

Fabuloso solo da minha soprano favorita! Parabéns!


quinta-feira, dezembro 11, 2008

MÚSICA EM S. ROQUE (2O ANOS 20 CONCERTOS)

Grupo Vocal Olisipo com a Orquestra Metropolitana de Lisboa (29 de Novembro)

Soberbo!

Parabéns à minha soprano favorita!

terça-feira, dezembro 09, 2008

O NASCIMENTO DO BARROCO EM PORTUGAL (Parte II)


Concerto do "Sete Lágrimas Consort" na Igreja do Instituto de S. Pedro de Alcântara em Lisboa (9 de Novembro de 2008) incluído no programa "20 Anos 20 Concertos - Música em S. Roque"

Esta soprano enche-me de orgulho!

Ler crítica

A ÚLTIMA CEIA DOS HERÓIS CHICANOS


A selecção de heróis deste mural da Casa Zapata, dormitório de Stanford com temática chicana, resultou de uma sondagem feita a estudantes, corpo docente e pessoal. Che Guevara liderava a sondagem e é exibido no mural como Cristo. Entre os demais heróis sentados à mesa figuram Benito Juárez, Martin Luther King, Emiliano Zapata, César Chávez, Dolores Huerta, Frida Kahlo, Joaquin Murieta e Augusto César Sandino. A toalha de mesa exibe a seguinte dedicatória ao rol de heróis de um estudante: "e a todos os que morreram, esfregaram o chão, choraram e lutaram por nós (para que pudéssemos estar aqui em Stanford).

sexta-feira, dezembro 05, 2008

THOMAS JEFFERSON (1802)

segunda-feira, dezembro 01, 2008

À PROCURA DE MAECENAS.


"São vários os mecenas famosos na história, mas poucos conhecem quem lhes deu o nome, Maecenas o próprio.

Romano, político e conselheiro de Caeser Augustus, ninguém sabe se algum dia lhe terá passado pela cabeça que, dois milénios depois, andaria nas bocas do mundo como sinónimo de patrono das artes. A verdade é que aconteceu. Um pouco como a expressão inglesa
Private Banking, que se tornou em Portugal sinónimo de Banco Privado Português.

Mas como até em gramática todos os caminhos vão dar a Roma, este texto não será excepção. Gaius de seu primeiro nome era, como não podia deixar de ser, o arquétipo do mecenas.

Por isso, não é de estranhar que tenha sido rico, o que foi verdade, como não é de estranhar que se tivesse rodeado de artistas durante toda a vida, o que também aconteceu. Rico por herança, a sua riqueza cresceu ainda mais pela sua proximidade com o imperador, cuja influência proporcionou a Gaius a independência necessária para poder escapar à típica adoração romana a Marte (deus da guerra), trocando-a por outra forma de estar na vida, mais dedicada a Minerva (deusa da inteligência e sabedoria).

Aí está uma deusa que também tem a ver com a nossa mitologia. Porque tem tudo a ver com dinheiro (aliás podia até ser a deusa do dinheiro se existisse) visto que só com muita sabedoria e inteligência é que se consegue fazer muito dinheiro.

Que o digam os nossos clientes, convertidos por um dos bancos mais capitalizados do mundo no seu segmento com mais de 200 milhões de euros em capitais próprios.

E também Virgílio, Horácio, Varius Rufus, Plotius Tucca, Valgius Rufus, ou Domitius Marsus. Um sem número de importantes poetas da era antes de Cristo que usufríram do apoio incondicional do Maecenas, que incluía dinheiro e casas de luxo onde poderiam viver à larga e dar largas ao seu talento. Foram eles os primeiros artistas subsidiados da história, homens que tiveram a fortuna de encontrar alguém cuja visão e pensamento estavam acima da sua própria fortuna.

E caro leitor, para que a sua fortuna não dependa exclusivamente da fortuna ligue para um dos nossos
Private Bankers, disponíveis para falar consigo através dos telefones em Lisboa, Porto e Madrid. Depois se quiser continuar a imortalizar o nome do romano, é consigo".



Não quero fazer comentários até porque isso tira, de certa maneira, o interesse dos leitores. Mas o "bichinho" impõe aqui uma crítica ao 5º parágrafo:

1- Nem a mitologia romana, nem a grega contemplavam o deus do dinheiro. Esse "pelouro" era e é, segundo as crenças religiosas actuais, pertença do Diabo. E esse diabo era representado na mitologia romana, pelo imperador. Daí o Maecenas ter feito um pacto com o diabo (imperador) e ter aumentado a sua fortuna. O exemplo ficou até ao nossos dias. Quem faz pactos com o diabo (poder) enriquece, mesmo que seja um zé ninguém, como se constactou nas declarações de um célebre ex-político, há dias (e Dias Loureiro) acerca do caso BPN.


2- "... só com muita sabedoria e inteligência é que se consegue fazer muito dinheiro".
Pois as actuais circunstâncias provam precisamente o contrário, o que aliás, está estampado no próprio texto. Os oportunistas e chicos-espertos (não sábios nem inteligentes) estão a surgir de todo o lado, esses sim à procura do "maecenas contemporâneus": o contribuinte.

Como diz o outro: "Vão mas é trabalhar, ó!..."

sábado, novembro 29, 2008

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA II

sexta-feira, novembro 28, 2008

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA I

quinta-feira, novembro 20, 2008

AS VERDADES OCULTAS EM PORTUGAL

PORTUGAL VISTO DE ESPANHA

Recebi este texto em espanhol, mas vale a pena o esforço de o ler. É verdadeiramente entristecedor por ser, infelizmente, verdadeiro.

LISBOA, 21 sep (IPS) - Indicadores económicos y sociales periódicamente divulgados por la Unión Europea (UE) colocan a Portugal en niveles de pobreza e injusticia social inadmisibles para un país que integra desde 1986 el 'club de los ricos' del continente.

Pero el golpe de gracia lo dio la evaluación de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE): en los próximos años Portugal se distanciará aún más de los países avanzados.

La productividad más baja de la UE, la escasa innovación y vitalidad del sector empresarial, educación y formación profesional deficientes, mal uso de fondos públicos, con gastos excesivos y resultados magros son los datos señalados por el informe anual sobre Portugal de la OCDE, que reúne a 30 países industriales.

A diferencia de España, Grecia e Irlanda (que hicieron también parte del 'grupo de los pobres' de la UE), Portugal no supo aprovechar para sudesarrollo los cuantiosos fondos comunitarios que fluyeron sin cesar desde Bruselas durante casi dos décadas, coinciden analistas políticos y económicos.

En 1986, Madrid y Lisboa ingresaron a la entonces Comunidad Económica Europea con índices similares de desarrollo relativo, y sólo una década atrás, Portugal ocupaba un lugar superior al de Grecia e Irlanda en el ranking de la UE. Pero en 2001, fue cómodamente superado por esos dos países, mientras España ya se ubica a poca distancia del promedio del bloque.

'La convergencia de la economía portuguesa con las más avanzadas de la OCE pareció detenerse en los últimos años, dejando una brecha significativa en los ingresos por persona', afirma la organización.

En el sector privado, 'los bienes de capital no siempre se utilizan o seubican con eficacia y las nuevas tecnologías no son rápidamente adoptadas', afirma la OCDE.

'La fuerza laboral portuguesa cuenta con menos educación formal que los trabajadores de otros países de la UE, inclusive los de los nuevos miembros de Europa central y oriental', señala el documento.

Todos los análisis sobre las cifras invertidas coinciden en que el problema central no está en los montos, sino en los métodos para distribuirlos. Portugal gasta más que la gran mayoría de los países de la UE en remuneración de empleados públicos respecto de su producto interno bruto, pero no logra mejorar significativamente la calidad y eficiencia de los servicios.

Con más profesores por cantidad de alumnos que la mayor parte de los miembros de la OCDE, tampoco consigue dar una educación y formación profesional competitivas con el resto de los países industrializados.

En los últimos 18 años, Portugal fue el país que recibió más beneficios por habitante en asistencia comunitaria. Sin embargo, tras nueve años de acercarse a los niveles de la UE, en 1995 comenzó a caer y las perspectivas hoy indican mayor distancia.

Dónde fueron a parar los fondos comunitarios?, es la pregunta insistente en debates televisados y en columnas de opinión de los principales periódicos del país. La respuesta más frecuente es que el dinero engordó la billetera de quienes ya tenían más.

Los números indican que Portugal es el país de la UE con mayor desigualdad social y con los salarios mínimos y medios más bajos del bloque, al menos hasta el 1 de mayo, cuando éste se amplió de 15 a 25 naciones.

También es el país del bloque en el que los administradores de empresas públicas tienen los sueldos más altos.

El argumento más frecuente de los ejecutivos indica que 'el mercado decidelos salarios'. Consultado por IPS, el ex ministro de Obras Públicas(1995-2002) y actual diputado socialista João Cravinho desmintió esta teoría. 'Son los propios administradores quienes fijan sus salarios, cargando las culpas al mercado', dijo.

En las empresas privadas con participación estatal o en las estatales con accionistas minoritarios privados, 'los ejecutivos fijan sus sueldos astronómicos (algunos llegan a los 90.000 dólares mensuales, incluyendo bonos y regalías) con la complicidad de los accionistas de referencia', explicó Cravinho.

Estos mismos grandes accionistas, 'son a la vez altos ejecutivos, y todo este sistema, en el fondo, es en desmedro del pequeño accionista, que ve como una gruesa tajada de los lucros va a parar a cuentas bancarias de los directivos', lamentó el ex ministro.

La crisis económica que estancó el crecimiento portugués en los últimos dos años 'está siendo pagada por las clases menos favorecidas', dijo.

Esta situación de desigualdad aflora cada día con los ejemplos más variados. El último es el de la crisis del sector automotriz. Los comerciantes se quejan de una caída de casi 20 por ciento en las ventas de automóviles de baja cilindrada, con precios de entre 15.000 y 20.000 dólares.

Pero los representantes de marcas de lujo como Ferrari, Porsche, Lamborghini, Maserati y Lotus (vehículos que valen más de 200.000 dólares), lamentan no dar abasto a todos los pedidos, ante un aumento de 36 por ciento en la demanda.

Estudios sobre la tradicional industria textil lusa, que fue una de las más modernas y de más calidad del mundo, demuestran su estancamiento, pues sus empresarios no realizaron los necesarios ajustes para actualizarla.

Pero la zona norte donde se concentra el sector textil, tiene más autos Ferrari por metro cuadrado que Italia.

Un ejecutivo español de la informática, Javier Felipe, dijo a IPS que según su experiencia con empresarios portugueses, éstos 'están más interesados en la imagen que proyectan que en el resultado de su trabajo'.

Para muchos 'es más importante el automóvil que conducen, el tipo de tarjeta de crédito que pueden lucir al pagar una cuenta o el modelo del teléfono celular, que la eficiencia de su gestión', dijo Felipe, aclarando que hay excepciones.

Todo esto va modelando una mentalidad que, a fin de cuentas, afecta al desarrollo de un país', opinó.

La evasión fiscal impune es otro aspecto que ha castrado inversiones del sector público con potenciales efectos positivos en la superación de la crisis económica y el desempleo, que este año llegó a 7,3 por ciento de la población económicamente activa.

Los únicos contribuyentes a cabalidad de las arcas del Estado son los trabajadores contratados, que descuentan en la fuente laboral. En los últimos dos años, el gobierno decidió cargar la mano fiscal sobre esas cabezas, manteniendo situaciones 'obscenas' y 'escandalosas', según el economista y comentarista de televisión Antonio Pérez Metello.

'En lugar de anunciar progresos en la recuperación de los impuestos de aquellos que continúan riéndose en la cara del fisco, el gobierno (conservador) decide sacar una tajada aun mayor de esos que ya pagan lo que es debido, y deja incólume la nebulosa de los fugitivos fiscales, sin coherencia ideológica, sin visión de futuro', criticó Metello.

La prueba está explicada en una columna de opinión de José Vitor Malheiros, aparecida este martes en el diario Público de Lisboa, que fustiga la faltade honestidad en la declaración de impuestos de los lamados profesionales liberales.

Según esos documentos entregados al fisco, médicos y dentistas declararons (?), los arquitectos dingresos anuales promedio de 17.680 euros (21.750 dólares), los abogados de 10.864 (13.365 dólares) e 9.277 (11.410 dólares) y los ingenieros de 8.382 (10.310 dólares).

Estos números indican que por cada seis euros que pagan al fisco, 'le roban nueve a la comunidad', pues estos profesionales no dependientes deberían contribuir con 15 por ciento del total del impuesto al ingreso por trabajo singular y sólo tributan seis por ciento, dijo Malheiros.

Con la devolución de impuestos al cerrar un ejercicio fiscal, éstos 'roban más de lo que pagan, como si un carnicero nos vendiese 400 gramos de bife y nos hiciese pagar un kilogramo, y existen 180.000 de estos profesionales liberales que, en promedio, nos roban 600 gramos por kilo', comentó con sarcasmo.

Si un país 'permite que un profesional liberal con dos casas y dos automóviles de lujo declare ingresos de 600 euros (738 dólares) por mes, año tras año, sin ser cuestionado en lo más mínimo por el fisco, y en cima recibe un subsidio del Estado para ayudar a pagar el colegio privado de sus hijos, significa que el sistema no tiene ninguna moralidad', sentenció.

domingo, novembro 16, 2008

O NASCIMENTO DO BARROCO EM PORTUGAL (Parte I)

Crítica Concerto São Roque 9 de Novembro de 2008 17h00, in Público 14 de Novembro de 2008 por Cristina Fernandes.
Igreja do Instituto de São Pedro de Alcântara (igreja lotada).

Vocacionado para a música antiga e contemporânea, o Sete Lágrimas Consort constitui um dos mais interessantes projectos surgidos em Portugal, nos últimos tempos, conforme se pode comprovar através de dois CD já editados (Lachrimae #1 e Kleine Musik), aos quais se seguirá, em breve, Diaspora.pt. Dirigidos pelos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, o grupo apresentou no ciclo Música em São Roque um criterioso programa intitulado “Pedra Irregular – O Nascimento do Barroco em Portugal”.

De Diogo Dias de Melgaz, um dos últimos vultos da Escola de Évora, a António Teixeira e Francisco António de Almeida (bolseiros em Roma a expensas de D. João V), passando por Henrique Correia, Carlos Seixas e Scarlatti, foi traçado um percurso com algumas das mais belas obras escritas entre os finais do século XVII e meados do século XVIII.

O repertório sacro apresentado foi concebido para coro (com ou sem solistas) e baixo contínuo, mas o Sete Lágrimas interpretou-o apenas com três cantores, atribuindo algumas das restantes partes a instrumentos (oboé e violino barroco) e contando com um grupo de baixo contínuo generoso (violoncelo, duas tiorbas e cravo).

Algumas obras vocais (de Melgaz, Teixeira e Almeida) foram tocadas apenas em versão instrumental e as restantes foram objecto de combinações vocais e instrumentais variadas, que permitiram acentuar os contrastes da textura musical e obter ambientes tão diversos como o intimismo contemplativo da Lamentação, de Almeida, ou a exuberância italianizante dos Responsórios de Carlos Seixas, do Responsório Si quaeris miracula ou do Motete Justus ut palma florebit, de Almeida.

O colorido que se ganhou desta forma mostrou facetas que outras interpretações deixam na sombra. Mas se o resultado foi revelador, esta atitude é susceptível de algumas reflexões musicológicas. Várias destas peças foram certamente cantadas na Patriarcal de D. João V, que contava com um coro de italianos de alto nível e cultivava um cerimonial monumental, mas também não é impossível que tivessem sido feitas com uma voz por parte noutros locais prática documentada em Portugal nas décadas seguintes).

O uso de um conjunto vocal mais amplo seria talvez mais fidedigno, mas os Sete Lágrimas não se definem como um grupo filiado nas “interpretações historicamente informadas” no sentido convencional, embora tenham formação nessa área. Preferem apostar na experimentação e na recriação do repertório, de resto uma tendência cada vez mais comum também a nível internacional.

Com timbres de cores suaves, as vozes de Filipe Faria e Sérgio Peixoto combinaram-se com elegância e bom gosto e a soprano Mónica Monteiro teve uma prestação de crescente eloquência que culminou nas páginas de Almeida, precisando apenas de aperfeiçoar alguns detalhes nas passagens mais virtuosísticas. A clareza de fraseados do oboé de Andreia Carvalho, num sugestivo diálogo com o violino de Denys Stetsenko, e um grupo de contínuo que nunca incorreu na monotonia completaram um trabalho de conjunto de grande consistência técnica e artística.

sexta-feira, novembro 14, 2008

ENA TANTOS COMUNISTAS!

Tenho andado arredado da blogosfera, por vários motivos que agora não interessa referir. Mas perante tudo o que se tem passado, não pude ficar indiferente a tanta pouca vergonha ou falta dela, falta de juízo e desculpas esfarrapadas.

Senão vejamos:

1 - Manifestação de 120 mil Professores contra o Governo e políticas de Educação. Escreveram alguns jornalistas(?) que isto é obra de "agitadores comunistas".

2 - Estudantes atiram ovos a membros do governo, encerram portas de escolas a cadeado e manifestam-se contra o Estatuto do Aluno, no que diz respeito ao regime de faltas, e não só. "Agitadores comunistas".

3 - Aquela desordem na Assembleia Regional da Madeira (terá razão o Alberto João quando desaconselhou o Presidente da República a não visitar aquele órgão regional de autonomia? Se calhar tem!), quando um deputado regional do PND exibe uma bandeira nazi-fascista em plena sessão. Agora recusa-se a integrar de novo os trabalhos porque já lhe chamaram de "comunista" e ele quer limpar o seu bom nome.

4 - Militares descontentes porque o Governo (pasme-se) não cumpre com os militares as leis que ele próprio criou. Mais manifestações. A afinar pelo mesmo diapasão, serão também os militares "agitadores comunistas"?

Isto traz-me à memória, afirmações do tempo do António de Santa Comba e seus lacaios: "quem não está comigo está contra mim". E quem não estava com ele era... comunista.

Assim sendo, com tantos "comunistas" neste país, não entendo e julgo que qualquer Português de bom senso também não, o porquê de o poder ser ocupado por "anti-comunistas" há décadas! Das duas, uma: ou as eleições têm sido fraudulentas, ou então, há para aí muita gente a "borrar-se" com medo do Papão!

Agora que este modelo de capitalismo selvagem, selvático e desonesto, demonstrou que tem os dias contados e que na América (toda ela), os factos apontam para a mudança, muitos "engravatados" se borram até ao colarinho! E o resultado é um cheiro nauseabundo consequência de excrementos de hipocrisia, arrogância e ambição desmedida.

Haja vergonha, respeito e juízo!

sexta-feira, outubro 24, 2008

PACTOS DE SILÊNCIO

Recebi por e-mail este texto, alegadamente do jornalista Mário Crespo e não resisti a publicá-lo neste espaço.

No Outono de 1989 conduzi na RTP os debates entre os candidatos a Lisboa. O grande confronto foi PS/PSD. Duas candidaturas notáveis. Jorge Sampaio, secretário-geral, elevou a política autárquica em Portugal a um nível de importância sem precedentes ao declarar-se candidato quando os socialistas viviam um dos seus cíclicos períodos de lutas intestinas. O PSD escolheu Marcelo Rebelo de Sousa. No debate da RTP confrontei-os com a fotocópia de documentos dos arquivos do executivo camarário do CDS de Nuno Abecassis. Um era o acordo entre os promotores de um enorme complexo habitacional na zona da Quinta do Lambert e a Câmara. Estipulava que a Câmara receberia como contrapartida pela cedência dos terrenos um dos prédios com os apartamentos completamente equipados. Era um edifício muito grande, seguramente vinte ou trinta apartamentos, numa zona que aos preços do mercado era (e é) valiosíssima. Outro documento tinha o rol das pessoas a quem a Câmara tinha entregue os apartamentos. Havia advogados, arquitectos, engenheiros, médicos, muitos políticos e jornalistas. Aqui aparecia o nome de personagem proeminente na altura que era chefe de redacção na RTP. A lista discriminava os montantes irrisórios que pagavam pelo arrendamento dos apartamentos topo de gama na Quinta do Lambert. Confrontados com esta prova de ilicitude, os candidatos às autárquicas de 1989 prometeram, todos, pôr fim ao abuso. O desaparecido semanário Tal e Qual foi o único órgão de comunicação que deu seguimento à notícia. Identificou moradores, fotografou o prédio e referiu outras situações de cedência questionável de património camarário a indivíduos que não configuravam nenhum perfil de carência especial. E durante vinte anos não houve consequência desta denúncia pública. O facto de haver jornalistas entre os beneficiários destas dádivas do poder político explica muito do apagamento da notícia nos órgãos de comunicação social, muitos deles na altura colonizados por pessoas cuja primeira credencial era um cartão de filiação partidária. Assim, o bodo aos ricos continuou pelas câmaras de Jorge Sampaio e de João Soares e, pelo que sabemos agora, pelas câmaras de outras forças partidárias. Quem tem estas casas gratuitas (é isso que elas são) é gente poderosa. Há assessores dispersos por várias forças políticas e a vários níveis do Estado, capazes de com uma palavra no momento certo construir ou destruir carreiras. Há jornalistas que com palavras adequadas favoreceram ou omitiram situações de gravidade porque isso era (é) parte da renda cobrada nos apartamentos da Quinta do Lambert e noutros lados. O silêncio foi quebrado agora que os media se multiplicaram e não é possível esconder por mais vinte anos a infâmia das sinecuras. Os prejuízos directos de décadas de venalidade política atingem muitos milhões. Não se pode aceitar que esta comunidade de pedintes influentes se continue a acoitar no argumento de que habita as fracções de património público "legalmente". Em essência nada distingue os extorsionistas profissionais dos bairros sociais das Quintas da Fonte dos oportunistas políticos que de suplicância em suplicância chegaram às Quintas do Lambert. São a mesma gente. Só moram em quintas diferentes. Por esse país fora.

quinta-feira, outubro 09, 2008

HASTA SIEMPRE!


Hasta Siempre (Nathalie Cardone)

Quarenta e um anos passados, a merecida homenagem. Agora, mais do que nunca, Hasta Siempre Comandante!

sábado, outubro 04, 2008

A CRISE DO SUBPRIME

Entenda a Crise do Subprime....
Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é, ou gerou a crise americana, segue breve relato económico de um anónimo inteligente que o colocou na Internet:

"O Ti Jaquim tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide que vai vender copos 'fiados' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol e da branquinha. A diferença é o 'sobre-preço' que os pinguços pagam pelo crédito.
O gerente do banco do Ti Jaquim, um ousado administrador formado em curso muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui, afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o 'fiado' dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos (que recebem chorudíssimos ordenados como prémio pelas decisões milagreiras que saiem daquelas cabacinhas, sim cabacinhas), mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Jaquim). Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas e a tasca do Ti Jaquim vai à falência. E toda a cadeia vai para a p... que a pariu....

Viu? É muito simples!"
Recebido por email. Editado pelo autor do blog.

quinta-feira, outubro 02, 2008

NOVOS MODELOS

Deplorável, aquele programa da SIC "Momento da Verdade" cujos concorrentes mais não são do que "almas prostituídas" que se sujeitam ao confronto com uma máquina que avalia a veracidade das suas respostas (polígrafo). Tudo por dinheiro! Aliás o lema do programa é: "a verdade compensa" ou coisa assim parecida. Fica-se a saber se fulano quer ir para a cama com a sogra, ou se o outro nem se importava de apanhar no traseiro, entre várias repugnâncias. Mas é tudo por uma boa causa: o dinheiro!
Por este andar, qualquer dia sai a pergunta: "gostaria de ir para a cama com a apresentadora deste programa"? Cruzes, credo, abrenúncio! Afasta-te Satanás, dirá o concorrente. Mas se o polígrafo disser que é mentira, então a apresentadora terá um orgasmo em público.
Isento de valores e de princípios, este programa ofende. Estaremos perante um novo modelo de prostituição?

sexta-feira, setembro 19, 2008

SOLIDARIEDADE: JUSTIÇA PARA FLÁVIA

A História de Flávia e a lentidão da Justiça Brasileira em seus jugamentos. Ler mais ...

terça-feira, setembro 09, 2008

NACIONALIZAÇÕES

"A administração Bush nacionalizou as duas maiores hipotecárias americanas para evitar a falência da Freddie Mac e Fannie Mae. Os contribuintes americanos vão pagar 200 mil milhões de dólares, cerca de 140 mil milhões de euros". (Ler notícia).


As nacionalizações, até agora típicas dos estados socialistas, afinal também se praticam nos estados capitalistas. Este caso não é único em países capitalistas! Já em Inglaterra se passou coisa semelhante.


À primeira vista, há tendência para pôr tudo no mesmo saco: nacionalização é nacionalização e pronto! Mas não! Há grandes diferenças nos modelos: enquanto os estados socialistas nacionalizam para tornar o estado no único monopolista, entendendo-se o estado como o conjunto dos cidadãos, os estados capitalistas nacionalizam para retirar responsabilidades a privados (oportunistas e especuladores) e transferir o ónus dessas mesmas responsabilidades para os cidadãos.

Temos agora que introduzir novos conceitos de nacionalização: a nacionalização socialista, que enriquece o estado e a nacionalização capitalista, que empobrece o estado.

quarta-feira, julho 23, 2008

TECNOLOGIAS

O "chá das cinco" em "Londres, capital da Oceania".

Inspirado no livro "1984" de George Orwell.

quinta-feira, junho 26, 2008

ATÉ JÁ!

ENCERRADO PARA FÉRIAS DO PESSOAL

terça-feira, junho 24, 2008

MINI ANEDOTÁRIO NACIONAL

Do Ministro da Agricultura e Pescas:

"Normalmente eu não associo os representantes, quer da CNA quer da CAP a estruturas políticas, mas é um facto que alguns dirigentes da CNA estão na extrema-esquerda e alguns da CAP na direita mais conservadora em Portugal, que pensam que os problemas se resolvem com mais subsídios".
Claro! No meio é que está a virtude. E no meio está o governo, cheio de virtudes! Já agora que tocou no assunto, o sr. ministro devia ter explicado que o dinheiro dos impostos dos Portugueses serve para subsidiar o governo, o TGV, as portagens, as autoestradas, os processos judiciais com turistas estrangeiros, a Federação Portuguesa de Futebol, etc. e que por isso, não sobra um "chavo" para susidiar os meios de produção!

Do Procurador Geral da República:
"É oficioso que [Vale e Azevedo] não está em Portugal. Foi já emitido um mandado de detenção europeu, um procedimento internacionalmente aceite, que naturalmente será cumprido".
Toda a gente conhecia o paradeiro de Vale e Azevedo. Só a justiça portuguesa não!

Gasolineiras:
"Lucros das gasolineiras disparam com a paralização dos camionistas". (ver notícia)
A partir de agora, as paralizações dos camionistas vão ser patrocinadas!

Sobre a UE:
"Portugueses são os mais pessimistas" . (ver notícia)
Porque será? Será que os Portugueses preferem ser do contra? Gente mal agradecida esta gente portuguesa!

Nota: fotografia "roubada" da Internet
.

domingo, junho 22, 2008

SAÚDE, UM NEGÓCIO.

Cresci a ouvir esta máxima: "com a saúde não se brinca". Mas, hoje ao passar os olhos pelos jornais online deparei com a notícia que levanta a suspeita de que alguém anda a brincar com a nossa saúde.

Segundo Isabel Vaz, "o objectivo não é perder clientes, que até podem ir a outro lado".

Esta afirmação não agradará certamente à comunidade médica, se esse "outro lado" for Cuba, atentas as afirmações recentes do Director do Serviço de Oftamologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, de que os doentes Portugueses deslocados a Cuba corriam sérios riscos, pois o país em questão era "tecnicamente atrasado". Só por ódio político se pode fazer uma afirmação tão grosseira e isenta de verdade!

Além de haver quotas de primeiras consultas, "porque os médicos têm de seguir outros doentes", ... "há quotas a nível global para cada cliente. Não podemos ter no hospital só doentes da ADSE", que já representa 20% do negócio.

Negócio?!!! Qual negócio?! A saúde?!

O estabelecimento de quotas justifica-se sobretudo porque "há movimentos no sentido de acabar com a ADSE".

Que movimentos? O governo? A comunidade médico-farmacêutica? As seguradoras?

Todo este discurso é hoje possível, porque os sucessivos governos mais não fizeram do que enfraquecer o papel do Estado no que concerne à defesa dos direitos mais elementares dos cidadãos (saúde, educação, habitação, trabalho). Hoje, falar da "saúde-negócio" é um lugar comum e o cidadão para mais não serve do que pagar impostos!

Maldito capitalismo!

sábado, junho 14, 2008

CHE GUEVARA

CIDADE NATAL DE CHE GUEVARA LEMBRA OS 8O ANOS DO SEU NASCIMENTO


Mais de 40 anos após sua morte, Ernesto Che Guevara transformou-se em "profeta na sua terra" e hoje a cidade argentina de Rosário lembrou os 80 anos do nascimento do guerrilheiro com a inauguração de uma gigantesca estátua em sua memória.

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