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quarta-feira, agosto 17, 2011

IDEIAS!... BOAS OU NÃO

Há dias precisei de me deslocar a um daqueles hospitais que deixaram de o ser, que passaram a centros de saúde (?) (medida tomada pelo governo PS e apadrinhada pelos ditos partidos do arco do poder). Cheguei por volta das 11 horas. Chegada a hora de almoço, constatei que não havia qualquer chamada de doentes e fui perguntar a uma senhora da limpeza (empresa privada) que tinha ficado a manter o lugar da funcionária administrativa aquecido, mas só isso. A única coisa que sabia era que todo o resto do pessoal tinha ido almoçar. Perguntei se podia ir almoçar também, ao qual a senhora me respondeu, que era arriscado por me sujeitar a perder a vez. Fiquei a aguardar. Dirigi-me à caixa das sugestões e escrevi o seguinte: "uma vez que estou doente, está na hora de almoço, o pessoal (médicos, enfermeiros e administrativos) foi almoçar, tendo eu fome e não podendo me deslocar para fora destas instalações para comer uma "bucha", sugiro à administração deste centro, a disponibilização de um espaço para operação de um serviço de catering, onde os utentes doentes, possam fazer as suas refeições a horas decentes".

Certamente que isto fará esfregar as mãos a oportunistas interessados, mas não considero que seja má ideia. Pelo preço da taxa moderadora, uma refeição à maneira, a horas decentes sempre faria atenuar o esgoto de paciência que aflui à cabeça da maioria dos utentes, digo doentes.

Fico à espera da resposta.




domingo, junho 22, 2008

SAÚDE, UM NEGÓCIO.

Cresci a ouvir esta máxima: "com a saúde não se brinca". Mas, hoje ao passar os olhos pelos jornais online deparei com a notícia que levanta a suspeita de que alguém anda a brincar com a nossa saúde.

Segundo Isabel Vaz, "o objectivo não é perder clientes, que até podem ir a outro lado".

Esta afirmação não agradará certamente à comunidade médica, se esse "outro lado" for Cuba, atentas as afirmações recentes do Director do Serviço de Oftamologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, de que os doentes Portugueses deslocados a Cuba corriam sérios riscos, pois o país em questão era "tecnicamente atrasado". Só por ódio político se pode fazer uma afirmação tão grosseira e isenta de verdade!

Além de haver quotas de primeiras consultas, "porque os médicos têm de seguir outros doentes", ... "há quotas a nível global para cada cliente. Não podemos ter no hospital só doentes da ADSE", que já representa 20% do negócio.

Negócio?!!! Qual negócio?! A saúde?!

O estabelecimento de quotas justifica-se sobretudo porque "há movimentos no sentido de acabar com a ADSE".

Que movimentos? O governo? A comunidade médico-farmacêutica? As seguradoras?

Todo este discurso é hoje possível, porque os sucessivos governos mais não fizeram do que enfraquecer o papel do Estado no que concerne à defesa dos direitos mais elementares dos cidadãos (saúde, educação, habitação, trabalho). Hoje, falar da "saúde-negócio" é um lugar comum e o cidadão para mais não serve do que pagar impostos!

Maldito capitalismo!

quinta-feira, maio 15, 2008

INTERESSE PRIVADO VERSUS INTERESSE PÚBLICO

A Assembleia Municipal de Cantanhede aprovou, por unanimidade, a declaração de interesse público municipal do projecto do professor/advogado espanhol Matias Cortez. Em causa está a construção de uma moradia, na freguesia de Cadima, que integra uma biblioteca, um jardim com esculturas, um teatro aberto, uma residência para convidados das diversas palestras que pretende vir a realizar, entre outros aspectos. Segundo João Moura explicou na sessão, o professor que há alguns anos reside/frequenta a freguesia de Cadima, pretende realizar um projecto "inédito e de uma dimensão que não é habitual para um investimento privado". Neste projecto, que vai incluir uma biblioteca, o professor Matias Cortez pretende que a mesma seja, no futuro, "um espaço público". Além disso, a obra vai ainda incluir um teatro aberto e uma zona dedicada à exposição de esculturas, num projecto de arquitectura tradicional, semelhante a um pequeno palacete.


Professor com doutoramento em diversas universidades, Matias Cortez pertence ainda a um dos mais prestigiados consultórios de advogados de Espanha. No entanto, e depois de descobrir a freguesia do concelho de Cantanhede, optou por nela investir, pretendendo a ela trazer especialistas de diversas áreas para realizar palestras.


O projecto que deu entrada na autarquia de Cantanhede, foi concretizado por um arquitecto madrileno -"um dos mais conceituados professores da Universidade de Madrid"- e é considerado "muito importante para o concelho".


Segundo o técnico responsável pelo departamento de urbanismo da autarquia de Cantanhede, são 1700 metros quadrados para a residência, 500 metros quadrados para a piscina e 700 metros quadrados para a biblioteca. Este último equipamento vai estar dotado, segundo o técnico da câmara, de "soluções técnicas evoluídas no que diz respeito à luminosidade". Apesar de não ser conhecido o valor total do investimento, este deve ascender a cinco milhões de euros, e a declaração de interesse público municipal surgiu na sequência de ser necessário desafectar uma pequena parte do terreno da Reserva Agrícola Municipal.


Agora que o interesse público foi aprovado por unanimidade, resta esperar pelo início da obra. Todavia, na sessão de assembleia municipal João Moura esclareceu que a biblioteca vai ficar "recheada com um conjunto de obras valiosas", vai ser "frequentada por investigadores" e depois de assinado o protocolo com a autarquia "vai poder ser utilizada pelo público".

Transcrição integral da notícia publicada no "DIÁRIO AS BEIRAS" de 2 de Maio de 2008.


Depois de lida e relida a notícia, impõem-se os seguintes comentários:


1º- A câmara "esclarece". Esclarece sobre intenções de privados, estrangeiros, com interesses numa freguesia (Cadima) cuja actividade principal é a agricultura (daí o ter que declarar o interesse público da coisa, para poder subtrair uns poucos de milhares de metros quadrados à Reserva Agrícola).


2º- Esclarece que o investidor pretende que no futuro o empreendimento seja "um espaço público" aliás, como convém, por causa do subsídio.


3º- Esclarece que o investidor e o arquitecto são do melhor que há em Madrid (professor/doutor/advogado e professor/doutor/arquitecto) e por isso muito importantes para o concelho, aliás como nestas terras ainda se vive em subserviência aos títulos de doutores e engenheiros (veja-se o site da câmara: só o pessoal menor não tem título!), convém amedrontar um pouco a populaça.


4º- Ao invés, a câmara nunca esclareceu o que acontece com os baldios no Zambujal, lugar que curiosamente, pertence à mesma freguesia. A câmara possui dezenas de cartas que denunciam a prática de abusos de privados (e também de algumas empresas públicas) em terrenos públicos, alguns deles situados em plena R.E.N. (Reserva Ecológica Nacional). Possui também dezenas de requerimentos de munícipes a pedir a delimitação dos terrenos públicos administrados(?) pela câmara e que confrontam com propriedade desses próprios requerentes. A tudo isto, a câmara tem dito nada!


5º- A Associação Cultural e Recreativa do Zambujal, construíu um salão com dimensões inferiores às pretendidas, porque não podia "alargar-se" para a REN, mesmo sendo propriétaria do terreno.


6º- Conclusão:

- Óh ti! Maria... venda-me meio litro de tremoços!
- É pra já, senhor doutor... e por ser para si, vão por esta medida maior!